A série All Star
A ídeia é ótima. Como resposta ao Universo Ultimate da Marvel, a DC cria a linha All Star, só que ao invés de criar todo um universo, a proposta é bem mais interessante, dar seus dois maiores personagens (Superman e Batman) para alguns de seus maiores escritores e desenhistas.
Em outras palavras, é o mesmo que uma série mensal de Elseworlds com os dois maiores ícones dos quadrinhos pelas mão de alguns dos melhores escritores e artistas da atualidade. Tentador não?
Mas a questão é. A série está valendo a pena? A resposta é sim e não.
Começando pela série do Superman. O roteirista Grant Morrison é um escritor que divide os leitores, alguns o adoram, outros o odeiam. Mas o fato é que ele criou aquela está entre as melhores histórias do Superman em toda sua história. Usando um tom inocente e bem humorado, ele mostra que personagens com uma mitologia tão vasta como a do último filho de Krypton, não é necessário reformular o personagem para atualizá-lo, basta saber usar os elementos a disposição, como prova disso basta ver o trabalho de Morrison com a caracterização dos personagens, que tem personalidades distintas e bem definidas formando uma bela galeria de personagens coadjuvantes.
Quanto a arte, só elogios podem ser feitos, Frank Quitely e o arte-finalista Jamie Grant usam os espaço muito bem e conseguem dar ideia de movimento de maneira espantosa, sem falar do belo dominio da narrativa e do visual dos personagens que tem o tipo fisico certo para cada um.
Passando agora para a ovelha negra, a série do Batman de Frank Miller e Jim Lee quase não merece ser mencionada em local nenhum. O roteirista que está cada vez mais envolvido em trabalhos para o cinema parece ter perdido todo o repeito não só pelo personagem que tanto ajudou a redefinir (em histórias como Ano Um e Cavaleiro das Trevas), como pela própria mídia dos quadrinhos, seus roteiros são simplesmente ridiculos e ofendem o leitor com seus absurdos. A grande verdade é que Frank Miller parece ver os quadrinhos simplesmente com um modo de fazer dinheiro fácil.
Já a arte de Jim Lee é totalmente o contrário de Quitely, estática e seguindo a velha fórmula de homens com músculos que não existem e mulheres mega-gostosas, sua arte tem a única vantagem de combinar perfeitamente com os roteiros medíocres de Miller.´
Porém, há um problema que atinge as duas séries, os atrasos da DC comics e por tabela da Panini. Por mais que a espera valha a pena (no caso da série do Superman), a verdade é que o ritmo da história se quebra, perdendo parte da noção de história continua e parecendo que se trata de episódios isolados.
Mas de qualquer modo, esperemos que a série continue, afinal com alguns melhoramentos aqui e ali, a linha All Star tem tudo pra ser a melhor de todo o mercado.